UM MANUAL PARA CONVIVER COM A DERROTA
Certos bróderes são mortais na maneira de se expressar, e uns melhoram com o tempo. Pois vejam vocês que esse menino Leonard Cohen, 77 anos, continua um craque em sensibilidade e, se formos acreditar que seus últimos versos são autobiográficos, mesmo na oitava década da vida é preciso lidar com dores de cotovelo.
Não acredito que Cohen esteja brincando de meu querido diário a essa altura do championship, mas as palavras da faixa de abertura de seu disco, “Old ideas”, divulgado neste mês, trazem alto grau de sinistrice. Abro aspas:
“He wants to write a love song
An anthem of forgiving
A manual for living with defeat”
“Ele quer escrever uma canção de amor/ um hino sobre o perdão/ um manual para conviver com a derrota”, escreve Leonard sobre si mesmo.”
Putz, que vontade de ler esse manual escrito pelo poeta canadense. O que ele recomendaria quando derrotados fôssemos pelas leis do desejo, quando a paixão se frustra no direito alheio de dizer “Gosto de você como amigo” ou “Não está rolando”?
Eu não tenho lá muitos conselhos a dar. Recebi um certa vez do meu pai, dado uma vez em que ele me viu na sarjeta da esquina da rua do Amor Sincero com a avenida do Desprezo Gentil: “Márvio, mulher tem que querer quando a gente quer. Se precisa de muita cerimônia, de muito rapapé, é porque não é pra você”.
Viver com a derrota e ser condenado a ter amor-próprio. É saber daquilo que se merece por tratar bem, por gostar, ter ciência de que quando se sofre mais do que se sorri, a bandeira branca e a retirada estratégica sempre são saídas honrosas. Gostar de si mesmo sempre foi a melhor maneira de ser amado com as maiores intensidades. Aí é que a gente vê quem perdeu mais quando surge uma derrota.
Anota essa, Cohen. E dá o crédito pro velho Marcus, ele vai curtir.















