A VIDA É CURTA PARA COMERMOS MAL

A frase é do renomado chef inglês Jamie Oliver, que além de apresentar receitas divinas nos ensina a ter uma relação muito mais prazerosa com a comida. Assistindo aos seus programas, ou lendo seus livros de receitas a gente aprende que a rusticidade muitas vezes ultrapassa a sofisticação. Alimentos orgânicos, ervas frescas, de preferência colhidas numa horta própria, muita manteiga, bons azeites, especiarias, e mãos, literalmente mãos à obra. Cozinhar é obrar. É prazer. Mesmo sendo arriscado, ousaria dizer que cozinhar é a atitude do bem da hora. Ganha todo mundo, quem prepara, quem recebe. A culinária não é pra ser um mistério, é para ser próxima. Simples. Basta amar os ingredientes. Desejar as combinações, sabendo que o entusiasmo por degustar essa combinação de aromas e texturas faz da mesa, mais que um lugar de refeição. Preparar misturas é harmonizar. É abrir o prazer, organicamente. Comer não é pra ser uma coisa trivial, ou casual, pra quando der tempo e seja lá o que for. Cozinhar ultrapassa cansaços. Ultrapassa conceitos de ser coisa de mulherzinha. A cozinha virou a sala, e nela desfruta-se a comida, a companhia, boas risadas, muitas conversas, o retorno da calma, o relaxamento. Aprende-se a calma já que cozinha e pressa, não combinam. Então, no ato de preparar um prato, a gente se rende aos tempos de cada cozimento, às regras que devem ser seguidas para que o prato vire uma delícia, a gente se rende aos perfumes que vão tomando conta do ambiente, e à expectativa de que cada gesto somado resulte em saciedade e bem-estar. Praticar a culinária hoje, mais do que em qualquer tempo, é buscar equilíbrio. Não só porquê alimentos preparados em casa pelas nossas próprias mãos são mais saudáveis, mas sobretudo porque é bom. É humano. Não tem nada de cibernético, avançado, complicado, é o exercício mais básico do ser humano, preparar sua comida, e dela fartar-se. Tem correria? Tem, sim! Tem que ir na feira, tem que fazer supermercado, tem que ler receitas, tem que praticar. Tem que ter tempo? Tem, sim! Mas com alguma organização pode ser possível. Pode virar prioridade. Pode voltar a ser aquele momento que nossos avós chamavam de sagrado. A vida é curta para comermos mal, e comer mal, com certeza, ameaça a nossa longevidade. Cozinhar é um ritual de bem querer. Cozinhar é conquistar a liberdade. Você pode viajar através dos sabores. Você pode ganhar sorrisos, você pode se ver a sorrir. E então, depois de comer, tudo parece tão bom, que dá até vontade de levantar e sair dançando e ser feliz!
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