Dizem que leva-se em média 6 meses para curar completamente a dor de um grande amor. Se, por acaso, você se encontra nesse período de sofrimento, aqui está uma dica que vai ajudar e inspirar: o tumblr 180 cartazes para sair da fossa. Todos os dias é publicado um poster novo com frases tiradas de letras de músicas… Para ajudar, os cartazes virtuais vêm com o link do Youtube para o caso de você querer ouvir a música.

Confira:


O desapego

É como saber que seu primeiro amor casou: admitir que só algum forte motivo faz com que, nessas redes sociais, alguém ainda consegue não revelar toda sua vida para outra pessoa.

É como ver as fotos do casamento do seu primeiro amor: um estranho déjà vu, o retorno de uma paisagem que um dia foi imaginação e subitamente surge da memória, com um rosto diferente do original.

É como ver o casamento do seu primeiro amor por fotos: ter que reconhecer que toda história traz consequências, que os convites são limitados, que há escolhas que se refletem noutras escolhas.

É como ver a foto do primeiro amor e não entender mais por que foi primeiro amor, e se perder na ideia de já ter sido pessoas demais – que amaram pessoas esquisitas, que não fazem o tipo que hoje amamos.

É como ver as fotos do casamento do seu primeiro amor e reviver aquele nostálgico prazer de ver a felicidade especial de quem sabia sorrir para um endereço certo.

É como ver o primeiro amor e daí lembrar-se do segundo, do terceiro, do quarto, e entender aquilo que Vinicius dizia, que o amor que se ama é alguém que nos foi trazido de mão em mão por todas as almas que um dia amamos.

É como não ter casado com o primeiro amor, mas saber exatamente por que razão teriam se divorciado, sem filhos, sem imóvel próprio, sem constituição de patrimônio, poucos meses depois de uma festa cara e insatisfatória.

É como entender de uma vez o seu lugar no mundo – por não estar em mais nenhum outro.

Ricardo, o áspero


“Eu nem tento me relacionar mais com mulheres em que eu noto algum grau de leitura de revistas femininas.”

Assim me disse Ricardo, o Zaratustra do Cerrado, bróder de longa data, sério candidato a meu Otto Lara Resende. Ele diz essas coisas de coração, com total desprezo à reportagem de comportamento que padroniza ou metodifica todos os rituais da conquista.

Não tem prazer na caça, não tira uma minhoca a cada enxadada, não se vê pegando gente a cada noitada – e não são poucas noitadas em sua vida, nem raras as mulheres que o querem. O que ele cansou foi dos supermercados da vida.

“Ou é fascinação, ou é a dinheiro”, diz ele, com uma honestidade que raros homens envergam. Sim, Ricardo é mais do que um rostinho bonito. É de uma franqueza suicida para nossos tempos e adestramentos maquiavélicos. Para ele, uma mulher não justifica todos os meios.

Que dirá aquela mulher que se pauta pelo absurdismo das revistas femininas, essas que apimentam a relação, essas que tentam criar padrões e que trazem uma legenda para cada coisa, como se todo homem – e toda mulher – fosse raso como uma piscina de criança. Dessas, ele realmente não se aproxima. Detesta ser legendado, acha que não nasceu pra coisa, e gosta de mulheres que conseguem considerá-lo algo mais que previsível.

Já o vi discordando de mulher bonita em discussão feia – e não é todo homem que faz isso. Há muitos que praticam a concórdia de resultados, aquela que permite pegar na mão e dizer, com voz curva, “meu amor, é exatamente é isso”, concentrando no tato manual toda a energia sexual de quem diz sim para ouvir outro sim.

Ricardo é um raro homem dos nossos tempos. Não que seja absurdamente íntegro, não que não seja vulnerável a qualquer dançarina do Faustão, não que não seja homem de duas cabeças, sujeito aos pecados que nos solteiros ficam irrisórios. Só não tem saco para mulher que lê revistas femininas como quem decifra o mapa do tesouro.

Para compensar, um lado bom: ele empresta livros.

ACREDITE NO HUMOR


Uma das coisas que ainda unem mulheres e homens por esse mundo que adora separar é o humor.

Vocês gostam de homens que as fazem rir; nós gostamos de mulheres que sorriem, e que eventualmente riem das piadas que fazemos. O que nos leva a uma lógica conclusão: o homem pode ser feio, mas tem que saber fazer alguma graça – no sentido mais amplo que a palavra pode ter.

Por tabela: a mulher que regateia sorrisos é um desastre.

Veio-me certa vez um bróder sem currículo no ramo da stand-up comedy, mas com largo histórico de namoradas. Um sedutor que andava bastante mal por causa de uma senhorita.

- Cara, é impressionante. Ela é linda, mas resiste à maioria das minhas piadas. Cada risada dela é rara e preciosa como um troféu – e ele se sentia vazio, como se não soubesse mais fazer o que sempre fez.

Bom, ela pode ser uma chata absoluta ou relativa: ou ela é carrancuda toda vida, como a mulher virtuosa descrita por Nelson Rodrigues, ou ela é apenas uma mulher que não vê graça nele. Em todos os casos, disse a ele que se tratava de uma roubada.

O jornalista e literato Christopher Hitchens (1949-2011) dizia que era mais fácil encontrar comediantes homens do que mulheres – as feministas, habitualmente desprovidas de humor, detestaram a ideia, mas enquanto as humoristas fizeram boas piadas. A tese dele é que isso vinha como necessidade para se fazer notado pelas senhoritas e por fim conquistar. Se a piada não funciona para uma das duas pontas, é provável que o relacionamento como nós o entendemos nos dias de hoje seja um equívoco.

(A não ser é claro, que você seja uma hindu e acredite no casamento sem amor, com uma vida de seriedades e obrigações submissa ao marido e com sexo protocolar – quase uma novela de época. Não recomendo, baby.)

Portanto, acreditem no humor como um dos melhores dos sintomas de que a coisa vai bem, e não economizem no sorriso. Porque às vezes vocês querem rir, mas, para não entregar todo o ouro ao bandido, represam essa gargalhada. Crueldade.

Um sorriso de mulher é a recompensa que mais amamos. Abre todas as portas. Se eu fosse mulher sorriria sempre, só para ver como os homens mais superiores simplesmente se ajoelham nas almas para merecer aqueles dentes.

Lembra do Advanced Style? Blog de moda do Ari Seth Cohen, especializado em senhoras super estilosas? Já comentamos por aqui há algum tempo que seria lançado um livro com as imagens do blog. Mas agora o blog que virou livro, virou documentário. O filme é inspirado na vida das senhorinhas que moram em NY e retrata o olhar delas sobre a vida cotidiana, a beleza vs envelhecimento, sexo e morte e por aí vai.

Confira o trailer: