A criadora e suas criaturinhas

Maíra Senise

Foto: Francisco Costa

Quem nunca olhou para uma tomada e viu um rosto, ou enxergou um animal numa nuvem, num rastro de tinta? Essa experiência visual ganha asas na vivência artística de Maíra Senise, que transforma figuras anamórficas em seres híbridos, com ares de desenhos rupestres. A necessidade criativa de registrar o seu entorno e dar vida às variadas formas a acompanha desde criança, mas antes seu principal foco eram outros contornos: os da moda.

Após trabalhar em marcas como Maria Filó, Andrea Marques e A Colecionadora, Maíra passou a se dedicar às artes plásticas. Não é à toa: a criatividade está no sangue. Ela é filha do pintor Daniel Senise e da cineasta Paula Gaitán, além de irmã do também diretor de cinema Eryk Rocha e da cantora Ava (ambos filhos de Glauber Rocha).

Quando decidiu tornar seus traços mais que um hobby, foi estudar em Nova Iorque na School of Visual Arts e na The Art Students League. Não demorou para que suas “criaturinhas” invadissem a galeria mexicana Machete, que hoje a representa. Agora elas estão prestes a dar novos passos em direção a feiras de arte. Enquanto isso, Maíra cria outros trabalhos que revelam sua estética crua e a o instinto natural em atentar-se aos detalhes da vida.

Confira a entrevista:

Você começou sua carreira trabalhando com moda. Como foi essa transição?
Sempre quis trabalhar com moda, era muito focada e não pensava em plano B. Ser estilista era meu sonho de infância. Todas as minhas ações artísticas eram passatempo, desenhar era diversão. Nunca parei de desenhar, fluía muito fácil, mas nunca achei que fosse trabalhar com isso. Eu desenhava, era automático, meu corpo pedia, mas não sabia o motivo. Com o tempo, comecei a produzir muito desenho e, um dia, uma amiga que faz a Feira Plana viu e disse que eu devia fazer zine com os meus desenhos. Eu nem sabia o que era zine, dei um Google (risos). Fiz e comecei a mostrar para as pessoas de uma maneira muito despretensiosa. Foi quando vi que minhas questões eram plásticas, comecei a mexer com cerâmica, pintura. A coisa começou a crescer, as pessoas passaram a conhecer meu trabalho. Surgiram convites e passei a me dedicar.

O que a moda representa para você?
O que eu acho mais lindo na moda é que tem estilistas fazendo coisas incríveis e colocando em passarelas, lojas. Não tem mais essa divisão tão forte entre moda conceitual e comercial. Estão fazendo coisas poéticas, fortes e inovadoras. A moda representa para mim uma forma muito acessível de comunicar não só seu estado de espírito, mas coisas que você pensa, acredita, gosta, de uma maneira direta, porque é como se fosse mais uma camada de pele, algo que você está carregando. Eu acho muito interessante quando pessoas conseguem transmitir essa personalidade através da roupa de uma forma sincera, única. E não tem regra, quando você entende seus símbolos estéticos na hora de se vestir e a mensagem que você quer passar, mesmo que de forma sutil, isso é muito bonito.

Trabalho Maíra Senise

Foto: divulgação

Sente que agora encontrou o seu lugar?
Sim. Mas continuo querendo produzir algumas peças pontuais, objetos de cerâmica que são o meio do caminho entre as esculturas e acessórios. Eu não entendia que era possível fazer as duas coisas. Agora, mais que encontrar meu lugar, encontrei uma forma confortável de trabalhar. Achei meu universo, minha estética. Mas ela é mutável, os materiais vão mudando, estou confortável de aceitar essas mudanças, apesar de um milhão se inseguranças – que busco transformar em força. Agora acho que vou ficar na pintura a óleo um bom tempo.

Quais são os seus estímulos e inspirações para criar?
Meu estímulo é físico, preciso trabalhar me movimentando fisicamente. Ter um estúdio para onde eu tenha que me locomover é muito importante, criar essa força de ir até lá é quase uma pré-meditação. O material e como eu o uso são as minhas grandes inspirações. E uma estética crua, simples, que trabalha com símbolos. Eu dou espaço para o material me apresentar coisas que me levam para uma figuração. O que surge no processo e o que posso representar a partir disso.

Você desconstrói formas e traz um viés híbrido para suas criações. Da onde vem essa vertente criativa?
Os trabalhos vão nascendo ao enxergar no material possíveis figuras e representações anamórficas. Enxergar um rosto numa mancha, um animal deitado de pernas para cima, – algo que faço muito nas minhas telas – num traço borrado da tinta. Naturalmente essa figuração surge sem ser tão assertiva, ela está sempre se sobrepondo, misturando com o fundo de forma orgânica. Elas vão aparecendo, desaparecendo, ficam camufladas. Esse viés híbrido vem daí. Quando começo um trabalho, tenho 20% pensado, mas 80% são figuras que vão surgindo durante o processo. Eu deixo que o material me mostre na prática.

Maíra Senise 3

Fotos: Vicente de Paula/Vogue

O que suas criações revelam sobre sua maneira de enxergar a vida?
Poeticamente falando, consigo relacionar meu trabalho e meu esforço de enxergar na tela formas à minha maneira de estar sempre tentando enxergar os detalhes da vida. Por exemplo: posso olhar para uma casa e gostar só de um pedaço dela. Sempre me preocupo mais com os detalhes que rodeiam as coisas do que as coisas em si.

Sua arte ganha ares primitivos, remete a um processo fluido, extremamente natural. Até que ponto há essa naturalidade e até que ponto ela é proposital?
Super concordo. A questão da arte primitiva é um universo que me interessa muito, assim como os desenhos de crianças. Não só pela estética que remete à minha, mas pela relação do homem primitivo com o desenho. São dois momentos em que pessoas tentam representar o que está em volta, com o material que têm em mãos, sem a necessidade de estar produzindo uma obra de arte. Acho muito bonito isso. O grande ponto de interseção entre ambos é a necessidade de catalogação do que está em volta, dos animais, dos objetos, pessoas, sem sabermos se era um projeto de arte ou não. As crianças também não sabem o que é arte, mas precisam representar o que está em volta. Os sonhos, a família, o cachorro, a casa. Essa primitividade vem daí. Foi como eu comecei a desenhar, sem saber o motivo, mas eu precisava daquilo. É natural, mas tenho  a preocupação de alimentar essa primitividade. Cada vez mais quero fazer coisas cruas, rústicas, brutas. É uma opção.

Além de pintar, você manipula cerâmica. O que mais te atrai nela? Pensa em se aventurar com novos meios?
A cerâmica veio porque eu queria ver esses seres de maneira 3D. Comecei a fazer tudo com cerâmica, os potinhos da minha casa, meus colares. O que me atrai na cerâmica é uma questão química. Na primeira queima, muitas vezes ela racha, a argila muda de cor, a peça encolhe, explode. É incrível, alquímico, parte do processo não depende de você, é externo. É interessante esse aspecto surpreendente. Se eu pudesse me aventurar, voltaria a fazer peças de roupas, mais bordadas, exclusivas, produzir pouco. Jeans bordados, bonés bordados. São planos para o futuro, quem sabe.

Trabalho Maíra Senise 2

Foto: Galeria Machete

Quais são os seus planos na arte daqui para frente? Algo que possa adiantar?
Acabei de fazer uma exposição na cidade do México. Foi muito legal, a cena de arte contemporânea lá é bem interessante, você consegue ver inspirações da América Latina e dos EUA também, porque fica no meio. Foi ótimo ver um ciclo se fechando. Por enquanto não tenho outra exposição à vista. Sou exclusiva dessa galeria agora, ela deve me representar em feiras. Agora é recomeçar a produzir uma leva de trabalhos para expor em algum momento.

Você cresceu num ambiente com muitos estímulos criativos. Como a sua família contribui para o seu desenvolvimento artístico?
A culpada disso tudo é minha mãe, cresci com ela. Aprendi a ter disciplina no trabalho, a vejo cada vez mais mergulhada no que produz. Ela ensinou a mim e meus irmãos desde pequenos a lidar com a arte de maneira muito natural, a desmistificá-la. Mostrou para a gente muitos filmes, levou a exposições, nos obrigou a ler, a escrever. Esse estímulo fez com que nós tivéssemos uma relação com a arte muito natural. Ela foi uma das primeiras pessoas com as quais me abri falando que queria fazer arte e ela disse que sempre soube. Ela e meus irmãos são um apoio incrível e sempre foram muito honestos com que eles fazem. Trazem a poética artística para o dia a dia.

Inspiração arte

Imagens: Philip Guston | Cy Twombly

Quais são suas principais referências criativas?
Eu curto muito pintores americanos dos anos 50 e 60, Philip Guston, Joni Mitchell, Cy Twombly. Também gosto muito de ver representações folclóricas, objetos ou culturas que trazem representações gráficas muito simples, mas muito elaboradas. Parte deles eu encontro em brechós viajando.

A realidade aumentada de Georgia O’Keeffe

Blue Morning Glories (1935) | Hibiscus with Plumeria (1939) | Jack in the Pulpit II (1930) | Black Iris (1926) | Grey Lines with Black, Blue and Yellow (1923) | Jack in the Pulpit IV (1930)

Muitos a consideram a mais autêntica expressão do modernismo norte-americano, outros se recusam a encaixá-la em qualquer movimento artístico específico, senão o seu próprio. O  que ninguém discorda é que Georgia O’Keeffe está entre os principais nomes da pintura do séc. XX.

De Chicago à efervescente Nova Iorque do jazz, nos anos 20, de Manhattan à quieta e dura paisagem do Sudeste norte-americano, Georgia O’Keeffe trilhou um caminho que se confunde com a sua própria arte. O Novo México foi seu lugar escolhido para viver, mas foi na arte que encontrou seu verdadeiro lugar no mundo.

Georgia O'Keeffe

Oriental Poppies (1927)

Costumava dizer que na sua vida – sobretudo enquanto mulher – ela sempre tinha alguém dizendo a ela o que fazer, mas que na sua arte, ninguém poderia fazê-lo, lá ela tinha espaço para ser livre.

E se todo o artista tem suas obsessões, a maior de O’Keeffe talvez tenham sido as flores. Ela as representava fazendo um uso dramático e inovador da cor e da forma, sempre em uma escala macro, sob uma espécie de lente de aumento. As flores da artista são tão ampliadas que chegam a reduzir o espectador à perspectiva de um pequeno beija-flor polonizador.

Georgia O'Keeffe

Trombeta II (1932) | Pineapple Bud (1939)

Muitas vezes, cada uma das partes das flores aumentadas da artista era simplificada até sua forma geométrica mais básica, assumindo-se então como uma audaciosa abstração, uma evocação no lugar de uma representação literal da flor.

“Ninguém vê uma flor — realmente — é tão pequena — não temos tempo… eu disse para mim mesma — pintarei o que vejo — o que a flor é para mim, mas pintá-la-ei grande e ficarão surpreendidos por terem tempo para a vê-la.” (Georgia O’Keeffe)

Top 3 museus de Arte Moderna pelo mundo

Pensando na trajetória da musa inspiradora da nova coleção, Georgia O’Keeffe, resolvemos falar dos nossos 3 museus de arte moderna preferidos pelo mundo. A artista, que teve no ano passado suas obras expostas numa superexposição na Tate Modern, em Londres, foi uma das mais importantes figuras femininas a deixar sua marca na arte moderna.

E nós, que somos amantes da arte e achamos que uma viagem não é completa sem a visita a espaços dedicados às expressões artísticas, fazemos aqui nossa homenagem à O’Keeffe. Vamos lá:

MoMA – Museum of Modern Art – Nova York

Moma

Foto: woomagazine.com.br

O museu de arte moderna de Nova York, mais conhecido como MoMA, é um dos principais e mais famosos do mundo. Fundado em 1929 e referência mundial por causa de seu impressionante acervo que reúne pinturas, esculturas e instalações de gênios da arte moderna e contemporânea, uma visita ao MoMA é um verdadeiro mergulho na história recente do mundo das artes.

Movimentos artísticos como o surrealismo, o dadaísmo, o expressionismo abstrato e a pop art são representados por mestres como Salvador Dalí, Man Ray, Jackson Pollock e Andy Warhol. E exposições temporárias dedicadas a importantes artistas colocam o museu no topo do calendário cultural mundial.

Durante sua visita não deixe de ir na lojinha do museu, sempre com objetos bacanas. E para quem quer estender o programa, o restaurante The Modern é ótimo tanto para almoço, quanto para jantar. Não esqueça de reservar.

Informações: 11, West 53RD Street. Midtown. Nova York. Tel: 1 212 7089400. www.moma.org. Abre diariamente 10h30-17h30 (fecha 20h às sextas). Na primeira quinta-feira de cada mês fecha 20h45.

Noite Estrelada (detalhe), de Vincent van Gogh, é um dos grandes destaque do acervo do MoMA.

Centre Georges Pompidou – Paris

Museu Paris

Foto: parisdigest.com

Também conhecido como Beaubourg, o grande atrativo da visita a este enorme museu moderno é sua ousada arquitetura “do avesso” que deixa à mostra toda estrutura do prédio, como tubulações, escadas rolantes e elevadores. Quando inaugurou em 1977, criou uma revolução da área da arquitetura em Paris.

Apresenta nos pisos inferiores biblioteca, salas de exposições e cinemas. No terceiro e quarto andares há um acervo de arte moderna e contemporânea do Musée National d’Art Moderne (Museu Nacional de Arte Moderna), onde obras de Matisse, Miró, Pollock e Picasso dividem espaço com outros artistas modernos.

No lado de fora, multidões se aglomeram para assistir a apresentações de artistas de rua. São músicos, atores, pintores, turistas, locais… de tudo um pouco. Programa imperdível!

Não deixem de subir no terraço, no 5º andar, de onde se tem uma linda vista da cidade. É lá que está o restaurante Georges, perfeito para tomar um drink apreciando uma imagem panorâmica de Paris.

Informações: Place Georges-Pompidou, 4e. Paris. Tel: 33 01 44781233. www.centrepompidou.fr. Abre de quarta a segunda, das 11h às 21h. A bilheteria fecha 1h antes do museu.

Foto: lankaart.org

Tate Modern – Londres

Tate Museum

Foto: images.tate.org.uk

O museu Tate Modern faz parte de um conjunto de museus: a Tate Gallery, a Tate Liverpool, a Tate St Ive e a Tate Online, todos eles de arte moderna e contemporânea.  Instalado na antiga central elétrica de Bankside, nas margens do rio Tâmisa, o Tate foi aberto em 2000, uma data recente se comparada aos outros museus.

Dentre os artistas que estão representados lá com suas obras e pinturas estão Picasso, Braque, Matisse, Chirico, Bacon, Alexander Calder, Salvador Dalí, entre muitos outros. O museu, que conta com 7 andares de exposição, abre de domingos a quintas das 10h às 18h e às sextas e sábados das 10h às 22h. O ingresso é gratuito, mas as exposições temporárias geralmente são cobradas.

***

Logo

As autoras do Art of Travel são Julia Duvivier e Mari Sanson, consultoras de viagens e especialistas em roteiros personalizados.

www.artoftravel.com.br
Instagram: @art_of_travel
Facebook: Art of Travel

So much beauty in the world

Maria Canto

Sabe aquela cena clássica do filme Beleza Americana, com um plástico voando junto às folhas caídas das árvores? Ela resume bem a visão da Maria Canto sobre a vida. Para nossa gerente de branding, há muita beleza no mundo, por todas as partes. Voyeur que se atenta à cada detalhe, ela nutre essa forte relação com a estética desde que se entende por gente. Nascida numa família amante da arte, formas e cores, Maria nos empresta o olhar artístico todos os dias.

Essa veia estética é de sangue, mas também dos astros. Com ascendente em Touro, ela se entrega aos prazeres visuais de corpo e alma. Não à toa, o cinema é sua grande paixão, tanto que sempre achou que fosse trabalhar com a sétima arte. A moda entrou na sua vida de repente e acabou a conquistando. E quando tem emoção, Maria não resiste. Ariana, é passional, afetuosa e enérgica. Talvez por isso, o estilo musical que tem escutado é latino, com ritmos animados e calientes.

Que nunca falte paixão e beleza na vida da Maria!

Maria Canto 3

Como começou sua carreira? Conta um pouco sobre o caminho que você percorreu até aqui.
Eu tenho paixão por cinema, achei que fosse trabalhar com isso. Fiz comunicação, estagiei em agência, canal de TV, depois fui para uma produtora grande de cinema e publicidade. E nas horas vagas, quando eu precisava de grana, trabalhava em loja, fazia bico de vendedora. Eu vendia bem, a carreira deu certo, e logo me encantei pela moda. Fui chamada para ser do departamento de marketing na marca onde eu trabalhava. Amei e nunca mais quis saber de cinema e TV para trabalhar, virou só hobbie.

O que você mais gosta em trabalhar com moda? Sempre se imaginou fazendo isso?
O que eu amo na moda é que ela é muito dinâmica. Eu acho uma das maiores formas de expressão. Eu sabia que queria fazer comunicação, preciso trabalhar com gente, em grupo, com contato pessoal. Acho que a moda combina tudo isso. Para quem gosta de pessoas, comunicação, psicologia, comportamento e movimentos humanos, acho que a moda é uma ótima opção de carreira. Não me imagino trabalhando numa coisa parada e a moda é muita coisa ao mesmo tempo. Adoro isso.

Maria Canto

Nada como ter avós inspiradores. Maria bem sabe!

Como é a sua relação com a moda?
A minha relação com a moda vem desde pequena e eu diria que tenho uma relação com a estética desde que eu nasci, é uma coisa de família. A minha avó fazia roupa, teve uma grife nos anos 60, 70, era pianista e desenhista. A moda sempre fez parte do convívio da nossa família. Tenho familiares ligados à arte. Meu avô foi arquiteto, diretor de museu, por isso sempre convivi com estética. A moda é natural para mim. Sempre tive intimidade com cor e forma. Poderia ser outra coisa ligada à estética, talvez arquitetura, mas é a moda. Ela me escolheu. Curioso que meu pai é um cara que gosta de moda, mais do que a minha mãe. Meu pai, meu tio, filhos desses avós, usam calça e sapato colorido, blusa estampada. Sempre foram para frente, nunca caretas. Meu pai sempre me deu roupa legal, ele tem olho. Meu irmão também.

Como define seu estilo? O que ele diz sobre você?
Não sei se tenho um estilo definido… Sou casual, clássica, equilibrada. Gosto de minimalismo, mas não sou reta. Do estampado, mas numa certa quantidade. A delícia da moda é que um dia você está romântica, no outro você quer sair para jogo, tem dias que você está colorida, alegre, no outro nem tanto… A moda é uma amiga. É muito gostoso poder escolher um mood. Acho que sou simples, não gosto de excessos. Menos é mais.

Quais são as principais características que você destaca na sua personalidade?
Eu sou muito Áries, meu signo. Impulsiva, amiga, extrovertida, afetuosa. Se pudesse, seria menos ansiosa. Mas também sou muito Touro, meu ascendente. Sou o equilíbrio entre os dois signos. Gosto de rotina, trabalho duro, dos prazeres da vida. O Áries levanta esse Touro e esse Touro abaixa esse Áries. A lua é em Escorpião. É tudo bicho. Eu não tenho ar, isso é interessante. Sou bem pé no chão.

Como elas te ajudam a trabalhar com nosso universo?
Touro é muito estético, é dos prazeres, é da comida. Isso ajuda no meu trabalho. A facilidade em comunicação também. Uma coisa que fala muito de mim é que eu nunca quis ser estilista. Gosto de marca, da criatividade de uma outra maneira, da imagem que melhor vai representar, do texto, em tudo. Somos tão criativos quanto quem cria a roupa. Amo toda a parte de branding. As histórias que vamos contar, a vida que cada produto tem. Esse lado B enorme por trás de uma roupa. Também adoro o trabalho de gestão. Os caminhos, os processos, trabalhar em equipe.

Maria Canto 1

O que você gosta de fazer nas horas vagas?
Cinema, música. Sou uma DJ frustrada (risos), adoro fazer playlist, comer. Não sou cozinheira, mas amo comer. Um dos programas que mais gosto. Filme e comida.

O que tem visto, escutado?
Os últimos que vi e adorei foram “Juventude”, do Sorrentino, o do Tom Ford, o “Animais Noturnos” e “A Bigger Splash”. Gosto muito de cinema francês porque fala de relação humana. Adoro filme com histórias possíveis. Gosto de cinema argentino também. E em relação à música, sou muito ampla. Gosto de quase tudo. Estou numa fase latina, ritmos animados para dançar, calientes.

O que te inspira na vida?
Pessoas, gente. Se eu estou triste, gosto de sair na rua e ver gente. Se estou feliz, gosto de compartilhar com gente. O humano me inspira.

Não gosta de ficar sozinha?
Adoro ficar sozinha, moro só há alguns anos. Mas vejo filme, mesmo que fale de solidão. Sou muito observadora. Adoro viajar sozinha, comer sozinha, mas vou ficar num restaurante de vouyer, vendo o mundo. E vou achar bonito, me emocionar. Sabe aquela cena do plástico voando no Beleza Americana? “There is so much beauty in the world”. Entendo completamente isso. Você pode estar sozinho e não se sentir só. Tem pessoas que vivem acompanhadas e são solitárias. O mundo está dentro de mim.

Da onde você acha que vem seu senso estético? Quais são suas referências?
Do berço. Tive referências e gostei desse assunto. Casou. Poderia não ser. Meu irmão teve as mesmas referências e trabalha com logística. Mas é músico nas horas vagas. Cada um pega suas referências e transforma.

Poderosa ou emponderada? Emponderada.
O mundo é seu ou você é do mundo? Eu sou do mundo.
Mídi ou longo? Curto.
Preto ou branco? Preto no branco.
Calor do deserto ou frio da neve? Calor.
Cacto ou flor? Flor.
Jazz ou blues? Os dois são uma maravilha.
Salto ou solto? Solto.
Art Déco ou Art Nouveau? Art Déco.
Real ou surreal? Real.
Eu mudo a moda ou a moda me muda? Os dois.
Sem dor ou sem pudor? Sem pudor.
Meu lugar no mundo é… Minha casa.
Instagram ou Facebook? Facebook.
The Beatles ou Rolling Stones? Rolling Stones.
Liso ou estampado? Os dois.
Cara lavada ou maquiada? Lavada.
Ella Fitzgerald ou Billie Holiday? Escolha de Sofia. Acho que Ella.
Listras ou poá? Poá.

Art déco(r)

Art Déco | Decoração | RJ

Fotos: Art Déco Rio de Janeiro

Nossa coleção pega emprestado o glamour antigo de uma época quando as mulheres quebravam muitas regras, os arranha-céus começavam a tomar as paisagens e o jazz ecoava pelos salões. Os loucos anos 20 também são caracterizados por um estilo muito definido de design e arquitetura, que se tornou moda em todo o mundo e também floresceu por aqui.

Art Déco | Decoração | RJ

Fotos: Art Déco Rio de Janeiro

O Art Déco é caracterizado por formas geométricas, linhas verticais, animais e folhagens em cores discretas, traços sintéticos e marcas de civilizações antigas como egípcia e asteca. Com perfume vintage, os traços decorativos influenciaram até os looks e o cinema da época.

Surgiu depois do Art Nouveau, mas diferente dele, abusa de grafismos simétricos, linhas retas ou circulares estilizadas. O movimento dominou a cena em diversos países da Europa, América do Norte, Austrália e África do Sul. Aqui no Brasil, o Rio foi eleito como capital do Art Déco na América Latina, com um acervo de quase 300 prédios e construções e a maior estátua do estilo no mundo, o Cristo Redentor.

Art Déco | Decoração | RJ

Fotos: Art Déco Rio de Janeiro

Você pode saber mais sobre a influência do movimento na cidade lá no site Art Déco Rio de Janeiro, que coleciona carinhosamente imagens da arquitetura, design e outros detalhes do estilo. O site também mapeou os espaços que valem a pena ser visitados na cidade maravilhosa, para quem como nós também não resiste a um toque artsy na paisagem!