Hoje damos espaço na nossa coluna colaborativa para a Rapha Perlingeiro contar sobre sua recente viagem à Sintra e inspirar ainda mais suas próximas férias. 😉

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Ir a Sintra é como encontrar aquela blusa de tricô que você sempre quis. Ela tem ares antigos e modernos, sem que isso seja uma contradição. É um clássico. Feminina e sedutora. É ao mesmo tempo forte e delicada. Diria até que, talvez, seja preciso ter um espírito apaixonado para entender Sintra.

Ao chegar à cidade, a alguns quilômetros de Lisboa, o que vem a mente é apenas uma frase esquecida de algum dos livros do Eça. Aquela em que ele escreve sobre uma tal “melancolia feliz”. Não é um bom resumo do que experimentamos quando nos apaixonamos? Uma melancolia feliz! Pois bem, em Sintra acontece o mesmo. É estar em estado de amor, e quem não quer isso na vida?

Tudo bem, você vai dizer que estou enrolando muito, mas, continuando com a nossa metáfora, chegamos à grande atração. A Quinta da Regaleira. Ela seria o equivalente a parte com o trabalho mais complexo e delicado da nossa blusa de tricô e, se ela arrebentasse toda em um vendaval, é essa parte que você deveria guardar.

Em resumo: se tiver apenas um dia em Sintra, antes de ir ao Palácio da Pena ou dos Mouros, vá à Quinta da Regaleira. Você não irá se arrepender. Aposto! E no mais, ficamos com a experiência. Ficamos com a melancolia feliz.

A Quinta da Regaleira

Ela fica entre o Paço Real e o Palácio de Seteais, e é fruto da obsessão do milionário excêntrico e erudito António Augusto Carvalho Monteiro. Ela já existia antes, mas é ele quem a transforma e dá a identidade única que vemos hoje.

Foi uma personagem interessantíssima – quando visitar o palácio descubra sua história na exposição que eles apresentam no interior. Foi António Monteiro quem contratou o arquiteto italiano Luigi Manini (que também trabalhou no Scala de Milão) e com ele projetou a Quinta em todo seu esplendor romântico e kistch ao mesmo tempo. Os dois transformaram a Quinta num lugar repleto de referências à arquitetura manuelina, mas também com muitos símbolos místicos, históricos e literários.

O ponto alto da visita – por onde, aliás, recomendo que comece sua caminhada – é o jardim. Não há palavras que realmente façam jus ao lugar, mas andar pelos jardins da Regaleira é único e pessoal, tanto como ler um livro maravilhoso escrito com a própria natureza. Ali a gente se sente um pouco como Alice.

Não deixe de visitar o poço iniciático. É uma espécie de “torre invertida” que desce ao interior da terra (olha a Alice aí), por meio de uma escada de pedra em espiral até chegar literalmente ao “fundo do poço”, onde você verá uma rosa dos ventos gravada no chão e poderá olhar para o infinito logo acima.

 

Informações Uteis para Sintra


Quando ir

Eu fui na primavera, uma época de dias longos e floridos, mas o outono e o inverno também têm seu charme,  menos gente e preços melhores. Eu apenas evitaria o verão. Portugal é quente como o Brasil e no final da viagem pegamos 42o C, o que não foi nada fácil. No entanto, tenha em mente que Sintra é sempre mais fresca que os outros lugares do país, e inclusive é uma cidade que possui um microclima próprio.

Quanto tempo

Um fim de semana é o que recomendo no mínimo. Fiquei apenas uma noite e me arrependo profundamente. Reserve um dia para a Quinta. Ela merece e, caso termine de visitá-la rápido, você pode passear pela cidade durante a tarde.

Como chegar

A partir de Lisboa é possível chegar de trem. Eles saem da estação do Rossio de 15 em 15 minutos. O bilhete custa menos de 5 euros. Mas se tiver a oportunidade, ir de carro pode ser ótimo. Nesse caso é possível estender o final de semana e visitar alguns lugares imperdíveis nas proximidades.

O que fazer nos arredores

Queluz – fica bem próximo de Sintra. Um pequeno palácio, usado como residência de verão pela família real. Alguns dizem que é uma pequena Versalhes. O interior do palácio foi praticamente todo restaurado e está imperdível.

Cascais – destino de veraneio do high society beautiful people de Portugal. As praias são impressionantes. Não deixe de ver a formação rochosa que eles chamam de “Boca do Inferno”.

Onde Ficar

Sintra tem alguns hotéis, mas recomendo, como parte da experiência, o Hotel Seteais. O hotel é também um prédio histórico, frequentado por pessoas ilustres como Eça de Queirós.

Onde Comer

  • Café Paris – comida agradável no meio da praça principal. Muito bom para ver a vida passar.
  • Café da Manhã do Seteais – café da manhã dos sonhos, com direito a champanhe e tudo. Absolutamente, incrível!
  • Fábrica das Verdadeiras Queijadas da Sapa – um dos doces mais tradicionais de Sintra são as queijadas, e as melhores e mais tradicionais você encontrada na Sapa. Só provando para entender. A Sapa é considerada a mais antiga das fábricas da cidade.
  • Periquita II – os travesseiros de Sintra também são famosos no imaginário de quem visita a cidade. Os mais conhecidos são os da Periquita, por isso não deixe de fazer uma paradinha estratégica por lá.

Outras Atrações

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Sobre a coluna

Nós temos a grande sorte de contar com leitoras e clientes super criativas e interessadas em Arte, seja literatura, moda, artes plásticas e visuais e por aí vai… Daí pensamos: porque não compartilharmos as criações dessas pessoas tão incríveis? Por isso criamos o Você Na Filó. ;) A ideia aqui é compartilhar suas experiências e criações na forma que você as faz.

Esse espaço é seu. Envie suas criações, inspirações ou o que acredite merecer ser compartilhado para contatoblog@mariafilo.com.br, colocando no assunto “Você Na Filó”. Não deixe de enviar os créditos de todos os artistas citados e autores de fotografias / artes utilizadas.

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