Ninguém igual a Ella

Ella

Foto: divulgação

Inspirada pela trajetória da americana Georgia O’Keeffe, nossa coleção revisita a Era do Jazz que despontou nos anos 20, época em que a pintora dava os mais importantes passos de sua linda e longa carreira. E nenhuma outra, mas a “primeira dama da canção”, Ella Fitzgerald é a primeira a embalar nossos dias com a batida que como nenhuma outra soube cantar igual a ela.

Conhecida pelo timbre que beirava a perfeição, “Lady Ella” esbanjava voz cristalina, dicção perfeita e uma timidez charmosa que a acompanharam por 59 anos de carreira. Tudo começou por acaso, nascida na Virgínia, ainda menina sonhava mesmo em ser dançarina, mas para nossa sorte aos 17 anos encontrou o microfone, iniciando uma grande paixão.

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Fotos: divulgação

Por anos Ella acompanhou como cantora principal em big bands, forma popular de apresentação de jazz pelos EUA, cantando grandes clássicos da época. Mas não demorou muito pra que tivesse sua própria banda e começasse a rodar o país com suas canções.

Atenta ao seu tempo, soube dançar conforme a música e agregou ao repertório canções de bebop e scat, ritmos que começavam a se destacar nos anos 40. Assim revitalizou sua carreira, que atingiu o ponto máximo regravando os maiores compositores americanos na série de Songbooks, considerados os primeiros álbuns pop da história, numa bela homenagem a Cole Porter, Duke Ellington, Gershwin e até o nosso Tom Jobim.

Brilhante e inesquecível, ela é a primeira entre grandes mulheres do jazz que marcaram para sempre a história da música. E que teremos muito prazer em relembrar.

Com vocês, Ella:

Para colecionar

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Imagens: divulgação

Colecionar selos promete virar moda, ou pelo menos alguns selos tem tudo pra virar objeto de desejo entre os fãs de David Bowie, e bem, quem não era fã do maior camaleão da música mundial?

Depois de um ano da morte do músico britânico, a Royal Mail anunciou que a partir de março lançará uma linha especial de 10 selos que cobrem boa parte da magnífica carreira do cantor, celebrando não só sua vida, mas os 50 anos de invenções e reinvenções de Bowie.

Entre as 10 imagens disponíveis estão capas de discos, alguns de seus personagens icônicos, além de performances do cantor e ator, que vai sempre deixar saudade como um dos mais inventivos e geniais do nosso tempo.

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Imagens: divulgação

E receber uma carta a partir de agora tem tudo para virar um grande fetiche na Inglaterra. Imagina o charme duplo de além da mensagem à moda antiga, de quebra ainda ganhar um selo exclusivo com uma imagem de David Bowie? Um belo tributo, quem estiver pela terra da rainha, por favor, mande uma carta para cá!

Antes da fama

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Fotos: divulgação

Bem antes de ser o mito de hoje em dia, Madonna teve seus dias de aspirante a popstar vivendo de bicos e tentando a vida na cidade grande.

Nessa época, antes de se eternizar como ícone pop, a cantora também cantou em duas bandas que nunca chegaram nem perto da fama que a loira conseguiu alcançar sozinha nos dias de hoje.

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Fotos: divulgação

Vamos saber melhor dessa história no filme “Emmy and the Breakfast Club”, que reconta o comecinho de sua carreira com um trunfo nas mangas: a narrativa será protagonizada pela atriz Jamie Aul, que não poderia ser mais parecida com Madonna e nas fotos já confunde o nosso olhar.

Já estamos curiosos pra ver o resto. E você?

Música para o corpo e para a alma

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Imagens: reprodução

Um projeto para lá de bacana está levando novos ares para escolas públicas do Rio de Janeiro. Novos ares, ritmos, sons e emoções. É isso o que o Circuito de Concertos Didáticos anda espalhando até novembro por escolas da Zona Norte e da Zona Oeste da cidade, através de uma iniciativa com direção geral e curadoria de Kryka Pujol e direção executiva e produção de Margareth M. Monteiro.

A ideia é promover transformações sociais através da música, oferecendo 30 concertos didáticos para o ensino fundamental, com apresentações de nomes bacanas da música clássica e popular do Brasil, com direito a troca de ideias e muito mais.

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Imagens: reprodução

Além do prazer de ouvir música boa, durante os encontros as crianças poderão conhecer mais os instrumentos musicais, estilos, a influência da música erudita no dia a dia e quem sabe despertar para novas paixões e profissões. Que a música é um grande super agente transformador a gente já sabe, e estamos torcendo para que essa ideia se espalhe como uma bela canção.

Rapte-me, camaleoa

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Fotos: Carol Vianna

Cada dia mais mulher e confiante, Ana Cañas revela que sua relação a própria feminilidade foi avançando. Cheia de truques na manga, a cantora hoje parece um furacão, dominando a plateia e destilando força em interpretações com aquela pitada de atitude de uma roqueira com o toque do blues. Sem deixar de lado os momentos românticos em canções doces, Ana adora variar de personalidade e flertar com jogos femininos.

Dentro dessas brincadeiras, a moda é um jeito de se expressar poético, um artifício por meio do qual a cantora oscila entre papéis. Para a artista, a maneira que ela se veste e as atuais performances com uma pegada mais sensual refletem seu amadurecimento. “Gosto da sensualidade num lugar mais emocional, do jogo de mostrar e esconder. Antes eu era mais de vestido, agora sou mais roqueira. Saí da menina e fui para a mulher”, conta ela, que cita Simone de Beauvoir: “A gente não nasce mulher, se torna mulher”.

Dona de uma “sensualidade felina” e uma bela cebeleira digna de uma (cama)leoa, com a qual brinca em seus shows, Ana fala a língua dos gatos. Além deles, a cantora é apaixonada pelas musas do jazz, que são motivo de inspiração para ela. O que mais a inspira? “Inícios e fins de relacionamentos. São momentos de estado latente, sentimentos à flor da pele”. No fim das contas, Ana é uma gata movida pelo amor.

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Fotos: Natália Britos | Ramon Moreira

 

Confira a entrevista na íntegra:

Seu Instagram é repleto de referências artísticas femininas. Seu lado feminino, menina mulher, salta aos olhos. Como é sua relação com sua feminilidade?

Realmente eu tenho um cuidado para não exaurir as pessoas com muita informação. Acho importante falar o que é do coração. Tenho esse lado doce e outro agressivo. Deve ser uma característica do meu espírito que transparece no meu perfil do Instagram. Minha relação com minha feminilidade foi avançando. Como bem disse Simone de Beauvoir, a gente não nasce mulher, se torna mulher. A gente vai se descobrindo. A gente tem que se libertar de padrões, de cobranças nossas, das gaiolas. A gente se desprende uma hora, a portinha está aberta, mas não voa. Uma hora a gente se assume mulher, aprende a não se importar com a opinião alheia. Meu lado menina nunca perdi e não gostaria de perder. Tenho uma criança interna que me faz feliz também. A mulher veio mais tarde, quando fiz o clipe com o Ney Matogrosso (em 2012), que tinha uma pretensa sensualidade, não banalizada, como acontece muitas vezes. A convivência com ele me ajudou muito, foi um aprendizado nesse ponto. Ao longo da vida a gente vai se libertando mesmo. Gosto da sensualidade num lugar mais emocional. As francesas sempre foram minhas referências nesse sentido: Brigitte Bardot, Juliette Binoche. Acho que a sensualidade tem a ver com questão da inteligência, do charme delas.

Você se considera uma mulher felina. O que é ser felina para você?

Tem esse mistério, os felinos são muito solitários, sensuais, belos, misteriosos. Falo a língua deles. O gato ensina a respeitar o tempo do outro, porque o carinho é quando ele quer, não quando você quer, diferente do cachorro. São animais poéticos em tempos distintos, mas me identifico com esse movimento dos gatos, gosto muito de tomar banho de sol, sou ligada a energia solar. Também tem os rituais noturnos deles e essa questão de serem animais tabus, uma grande injustiça social perante os gatos. Ele é misterioso por natureza. Também acho a onça um animal fascinante, de poder. Uma pessoa muito espiritualizada já teve um sonho no qual eu era uma onça.

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Foto: Amanda Fogaça

Você começou a cantar quando descobriu a Ella Fitzgerald e tem uma tatuagem da Billie Holiday no braço. O que as musas do jazz representam para você?

Elas foram essa descoberta de um caminho. Não sabia qual era minha vocação, só sabia que não tinha talento para ser atriz. De repente descobri a Ella Fitzgerald, que mudou minha relação com a música. Comecei a viver de música e aí a coisa seguiu. O que me encanta na Billie Holiday é que ela tem uma voz pequena, mas um poder de interpretação que me tira do lugar. É como padecer no paraíso e sofrer ao mesmo tempo. Ela é de outro mundo, transmutou a dor de vida numa obra magistral, atemporal pelo resto dos tempos. Tem horas da vida que tudo que você precisa é ouvir Billie Holiday.

Enxergamos um amadurecimento seu como artista, com presença de palco e uma imagem cada vez mais forte. Você se sente mais confiante hoje em dia?

Eu fui achando um jeitinho de botar os bichos para fora envelopando o melhor essa situação. Quando eu era mais jazz, destoava mais essa atitude visceral. Fui me envolvendo com essa pegada mais rock, blues, exteriorizada. Durante minha carreira, fui encontrando esse caminho, que casou mais a atmosfera do que eu queria realizar. Tem a ver com encontrar ser o que é, um encontro consigo mesma. Nunca tive a ilusão de que a gente nasce sabendo o que é. São altos e baixos, o caminho é doloroso, mas a gente vai encontrando.

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Foto: anacanas.com

Você tem um lado estético/plástico, bastante apurado. O que é a moda para você? Qual é o papel dela na sua vida?

Eu acho que a moda é um jeito de se expressar poético. Adoro a ala dos anos 70, a calça boca de sino, cintura alta, que valoriza a cintura. Não gosto de ser vítima da moda, prefiro achar meu estilo e seguir. Nunca quis ostentar, mas buscar algo que me traduzisse, com simplicidade e alma. Sou mais vintage, a modernidade fica mais pelo meu discurso. Gosto do estilo meio boho, da sensualidade roqueira, do jogo de mostrar e esconder. A sensualidade é um lugar para brincar. Antes eu era mais de vestido, agora sou mais roqueira. Saí da menina e fui para a mulher. Às vezes quero ser mulher, mas em outras horas quero ser bicho grilo. A delícia de ser mulher é flertar com esses jogos. Tenho meus truques na manga. O homem tem uma linguagem mais limitada neste sentido. As mulheres podem variar mais de personagem.

Quando você sentiu essa transformação de maneira mais nítida?

Quando me separei do primeiro casamento. Foram 10 anos numa relação e saí mulher. Foi gradual.

Quantos anos você tinha?

33 anos.

O que te inspira?

Começo de paixão e separação. São momentos de estado latente, sentimentos à flor da pele. O cinema também me inspira, principalmente o cinema europeu: Fellini, Bergman, Antonioni, Nouvelle Vague. Cinema brasileiro também, Glauber Rocha. A vida inspira. Todo dia tem uma lição para escrever uma música.

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Foto: Carol Vianna

Pingue-pongue com Ana Cañas:

Instagram do momento… Adèle Exarchopoulos.
Sonho em cantar com… Criolo, Rita Lee, Tim Maia.
Peça-chave no armário… Chapéu preto, botas e óculos grandes.
Mais inspirador em mim… Minha sinceridade, história de vida. Cair e levantar.
Vício/não passo um dia sem… Cigarro de tabaco natural, pôr do sol, meditação.
Sua marca registrada… Jogar a real.
Nos fones… “Fatal” da Gal Costa, Rolling Stones, Caetano dos anos 70 (“Transa” e “Qualquer Coisa”).
Na tela… Documentários do Netflix. “Requiem for the American Dream”, “I am not your guru”,  “Penny Dreadful”, “Breaking Bad”, “Arquivo X”, “House of Cards”, “Abraço da Serpente”.
Na mesa… Comida natureba, sou vegetariana. Legumes, frutas, grãos, suco verde, água.
Na mesinha de cabeceira… “O Livro de Mirdad”, de Mīkhāʼīl Nuʻaymah. “Tao te-ching”, de Lao-Tse. “O Evangelho é Essênio da Paz”, de Edmond Bordeaux Szekely.