A volta dos cactos

Cactos

Foto: http://gde-fon.com

Procurando entender mais sobre esse encantamento de Georgia O’Keeffe pelo Novo México, propomos explorar uma das suas maiores belezas: a paisagem desértica pontuada por escultórios cactos Saguaro.

São plantas xerófitas, sendo as únicas representantes da família botânica Cactaceae, da qual se conhecem 176 gêneros e 2273 espécies, entre árvores, arbustos, subarbustos, herbáceas e lianas.

Com ampla variação anatômica e de aparência interessante e exótica, os cactos se tornaram evolutivamente adaptados aos ambientes extremamente quentes e/ou áridos, conquistando grande capacidade fisiológica de conservar água.

Cactos

Fotos: salientmemories.wordpres

Podem ter a forma globosa, colunar ou achatada, que guardam frutos tipo baga. Geralmente produzem folhas com espinhos, mas também flores grandes e vistosas, num contraponto interessante e inusitado.

A predominância dos cactos é nas Américas (desde o Canadá até a Patagônia), mas há única espécie no continente Africano – Rhipsalis spp. (provavelmente introduzida por alguma espécie de ave migratória). Várias espécies de Opuntia spp. foram introduzidas na Austrália durante o século XIX e se naturalizaram lá. No Brasil, ocorrem com maior incidência na Caatinga, no Cerrado e no Pantanal, porém têm a sua distribuição confirmada também na Amazônia, Mata Atlântica e Pampas.

Curiosidades:

Cactos

Foto: succseed.com

– O menor cactos conhecido é o Blossfeldia liliputiana. Cresce nos Andes bolivianos e argentinos e nem sempre chega a atingir mais de 10mm de diâmetro, mesmo na fase adulta. O seu nome é uma referência ao país fictício de Lilliput, de “As viagens de Gulliver”, onde todos os habitantes são minúsculos.

Cactos

Fotos: National Geographic | Christian Heeb

– O mais alto é o Pachycereus pringlei, nativo do Noroeste do México. Há registros da espécie com quase 20m de altura.

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Fotos: blog.welovecacti.com | Chad Stewart

– O Saguaro (Carnegiea gigantea) é o segundo maior do mundo. É nativo da região do Deserto do Sonora, que abrange parte do México e Estados Unidos. Vive em média 175 anos, mas há registros com 200 anos. Os seus primeiros braços surgem aos 50, 70 anos de idade, mas o aparecimento pode levar até 100 anos se as condições não forem as mais favoráveis.

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Fotos: Tumblr Meditation Temptation | faze.ca

– O Peyote (Lophophora williamsii) – cacto da região entre o Sudoeste dos Estados Unidos (Texas e Novo México) e do Norte do México – é uma planta alucinógena (mescalina) considerada sagrada pelos indígenas locais e tem sido usada em rituais religiosos, pelos hui choles, como via de comunicação com seus deuses.

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Fotos: deliamendonca.com.br | pitayasul.com.br/

– A pitaya ou fruta-dragão é o fruto de várias espécies de cactos epífitos dos gêneros Hylocereus e Selenicereus, nativos de regiões da América Central e México.

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Foto: tropical.theferns.info

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Fotos: actaplantarum.org | WordPress Enerife Nature Walks

– Das imagens acima nenhuma é um cactos. Algumas espécies da família Euphorbiaceae são confundidas com eles. Tal como os cactos, as espécies de eufórbia também são suculentas, mas a planta-inspiração de hoje é originária das Américas e seus espinhos nascem de aréolas, diferente as eufórbias, que vieram da África e têm espinhos nascidos do caule, além de serem tóxicas quando danificadas.

Cactos

Fotos: Wikimedia Commons | Tumblr Skin Feelings Tattoos

– A floração das eufórbias não é particularmente chamativa, apresentando flores simplificadas. Já a floração dos cactos é espetacular: possui várias pétalas e é extremamente atrativa.

– Todos os cactos são suculentas, mas nem toda a suculenta é um cactos.  As seguintes famílias botânicas apresentam suculentas: Agavaceae, Aizoaceae, Apocynaceae, Asphodelaceae, Cactaceae, Crassulaceae, Euphorbiaceae e Portulacaceae.

 

Na estrada, entre neons e cactos

Novo México | Rota 66

Foto: www.voupracalifornia.com.br

Localizado entre os desertos do Texas e do Arizona, ao norte da fronteira com o México – “The land of enchantment” –, a paisagem que encantou a nossa musa inspiradora, Georgio O’Keeffe: o Novo México.

Trecho 6 da Rota 66, com 360 km de terras laranjas, neons e cactos. A leste, a paisagem plana e seca, a oeste, a topografia se exalta e a paisagem se enche de tonalidades ainda mais quentes.

Novo México | Rota 66

Fotos: www.elisabettarosso.com | Etsy

O trecho que atravessa o estado do Novo México é mais longos da rodovia, uma injeção de liberdade e a sensação de estar numa cena de filme. Cidades fantasmas, paisagens incríveis e uma energia quase nostálgica ajudam a compor um dos mais belos cenários de toda a Rota 66.

Novo México | Rota 66

Fotos: www.photoblog.com/bcofer | honeymoonsgalore.com

Um dos pontos altos da estrada que corta o Novo México é o famoso corredor de letreiros neon em Tucumcari. Eles são uma forma dos motéis e estabelecimentos comerciais à beira da estrada chamarem atenção de quem passa por ali. Uma constante necessidade de atrair os viajantes.

Novo México | Rota 66

Fotos: Bill McKibbon | creativecan.com

Outra cidade de destaque é Albuquerque, a maior do estado, famosa por ser o local de filmagem das séries Breaking Bad e Better Call Saul. Santa Fé, capital do estado e cidade escolhida por Georgia O’Keeffe para morar durante grande parte da sua vida, também merece ser vista. Vale muito a pena sair alguns quilômetros da histórica rodovia e explorar as paisagens retratadas pela pintora.

Sem dúvida são as paisagens, as mesmas que inspiraram O’Keeffe, que continuam a seduzir quem se aventura pela rota e se desafia a explorar o seu entorno.

Plantando o futuro

Agricultura Sintrôpica

Foto: agendagotsch.com

O conceito é um tanto complexo a princípio, mas basta dizer que vem recuperando o meio ambiente de áreas até então desoladas da nossa mata tropical. A agricultura sintrópica é sustentável e prega trabalhar a favor da natureza, não contra ela, incorporando conceitos ecológicos em todos os detalhes do manejo de agroecossistemas.

Se ainda parece um pouco confuso, basta uma pesquisa no projeto Agenda Gotsch para clarear a ideia e ficar confiante de que podemos sim construir um futuro melhor.

Agricultura Sintrópica

Foto: agendagotsch.com

Pelo menos é o que faz Ernst Gotsch, suíço que a arquiteta Bel Lobo já havia citado por aqui como figura que a inspira. O agricultor e pesquisador se lembra de ter começado sua relação com a terra aos 3 anos, é autodidata na criação de um sistema cujos resultados são impressionantes. Com total de 34 anos de pesquisas entre sua terra natal, Alemanha e Costa Rica, em 1982 Gotsch finalmente fincou os pés no Brasil, onde já recuperou plenamente cerca de 410 hectares com o método que criou.

Para entender um pouco mais, dê play no documentário que conta melhor a história desse gringo, que pode transformar a mata tropical do nosso Brasil:

Para ter fé e se inspirar!